Por que eu resolvi estudar sobre educação?

Oi.

Eu sou Caio Ninício tenho oito anos e quero ser jogador de futebol ou bombeiro.

Caio Ninício.

 

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O texto acima é uma representação da minha primeira cartinha na escola – e, obviamente, eu não sabia usar vírgulas. A professora resolveu ensinar um pouco sobre estrutura de cartas, e nós deveríamos escrever uma dizendo quem éramos, nossa idade e o que desejávamos fazer no futuro.

Na época, eu ainda não pensava em ser escritor. Na verdade, eu vivia em dúvida entre ser um jogador de futebol, e ser bombeiro. Acabou que, depois de alguns anos, eu descobri que nenhuma das duas profissões serviriam para mim.

Quanto ao meu nome, eu não escrevia ele errado. Eu simplesmente achava que me chamava “Caio Ninício”, não “Vinícius”. Demorou, mas eu aprendi.

Mas, por que eu estou contando isso?

 

No último ano do Ginásio, eu fiz uma escolha que impactaria toda minha vida. Para muita gente, o ensino médio é só mais um passo na direção da faculdade, ou até mesmo o último passo para se ver livre das obrigações estudantis. No entanto, quando eu decidi fazer magistério, eu também estava escolhendo seguir uma das minhas paixões: o ensino.

Estudar nunca foi minha praia. Eu odiava matemática desde quando minha mãe, professora, pedia para que eu fizesse a Tabuada de 2 a 9. Odiava conjugar verbos e classificar orações – e ainda odeio. Sempre foi um sacrifício assistir às aulas de Geografia e Ciências. Eu até gostava de História, principalmente quando estudávamos sobre povos antigos, como os gregos, persas e romanos; História do Brasil, por outro lado, era bem entediante também.

“Então, Caio, por que você decidiu ser professor?”

Porque, durante o Ginásio, eu comecei a entender que ensinar não é sobre a matéria que você aplica em sala de aula. É sobre os alunos que você recebe, e sobre como você pode ajudar a formá-los. Não formá-los na escola, passar de ano é uma consequência do esforço deles. O trabalho do educador é ajudar a formá-los como cidadãos.

Os melhores professores são os que entendem isso. Eles sabem que não se pode ignorar o aluno, e simplesmente repetir tudo o que diz nos livros.

 

Paulo Freire, um estudioso da educação, escreveu o livro Pedagogia do Oprimido (1968), onde ele fala sobre uma forma de ensino que oprime e desumaniza o aluno. No mesmo título, o pedagogo brasileiro nos mostra o caminho para uma pedagogia Libertadora, que traz ao aluno uma visão crítica da realidade opressora.

E vejo a educação da mesma forma.

O professor pode ajudar o aluno a se libertar das amarras da sociedade e ajudá-lo a caminhar no sentido da liberdade. Porém, é claro, os educandos precisam participar dessa libertação. Pois, citando Paulo Freire novamente:

“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão.”  – Paulo Freire.

Se eu entrasse no assunto “liberdade” aqui, esse post ficaria tão grande que poderia ser transformado em um livro digital. Portanto, fiquem com minha indicação: leiam “Pedagogia do Oprimido”, e para uma visão mais filosófica da liberdade, sugiro que pesquisem o “Mito da Caverna”, de Platão.

 

Eu resolvi estudar sobre a educação, porque eu entendi que ser um educador é mais do que ser um papagaio de ideologias dominantes e conteúdos acadêmicos. É buscar conhecimento, para ajudar outras pessoas a trilhar seus próprios caminhos.

 

Caio Ninício, autor e professor.

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