Dois erros não fazem um acerto

Bom início de semana, galera!

E vamos começar a segunda-feira falando de algo muito comum: erros.

Recentemente, uma leitora do site pediu que eu falasse um pouco sobre erros comuns na hora de escrever um livro ou conto. Então, cá estou. O que vocês lerão agora, apesar de útil, está resumido. Caso queira mais dicas sobre os erros comuns, assine minha Newsletter, estarei postando uma série sobre esse assunto lá nas semanas que virão agora em Junho.

Você também pode participar do meu curso “Resolvi escrever, e agora?”, que estará com vagas abertas em breve.

Atenção: A maioria dessas dicas é voltada para escritores de ficção, mas quem escreve não-ficção pode se beneficiar também. Dê uma chance.

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  • O Tempo.

O tempo é realmente complexo. Geralmente, é um erro quase imperceptível, e o autor muitas vezes deixa de percebê-lo, mesmo na revisão. Infelizmente, não há nenhuma poção mágica para resolver esse problema, é preciso atenção e, claro, prática. Muita prática.

Caso você não saiba do que estou falando, lá vai um exemplo:

“Janaína era uma professora do Jardim da Infância. Negra, de olhos castanhos, sua pele é tão bela que […]”

Ao escrever um livro, é necessário decidir em qual Tempo você contará sua história. Passado OU presente*, nunca os dois ao mesmo tempo, especialmente em um mesmo parágrafo. Portanto, se Janaína era uma professora do Jardim da Infância, sua pele era muito bela.

Isso significa que Janaína está morta, ou que sua pele agora é feia e escamosa? Obviamente, não. Significa apenas que sua história já aconteceu, no passado, e não está acontecendo agora. Ou ao contrário, caso você conte a história no presente.

*Existem algumas histórias que usam os dois tempos. Por exemplo, a história se passa no presente, porém o autor quer contar algo que já aconteceu, como em um Flashback. Não há nada de errado nisso, apenas use com cautela.

*Particularmente, nunca vi um livro ou conto escrito no futuro, provavelmente seria algo interessante de se ler. Portanto, se tem uma ideia, não deixe que as pré-determinações da escrita te impeçam de escrever. Porém, novamente, use com cautela. E treine bastante.

 

  •  Diz muito, mostra pouco.

O escritor é responsável por contar uma história. Ponto final.

Porém, principalmente quando se está escrevendo ficção, é importante lembrar que você é um autor, não um orador. Nada de errado com oradores, claro. São duas profissões diferentes, que podem se misturar muito bem, mas sem abusar. Portanto, quando você estiver escrevendo, evite ser muito orador, e seja mais autor.

Caso você não esteja entendendo o que quero dizer, vamos ao exemplo:

“Janaína era uma professora do Jardim da Infância. Ela também adorava jogar futebol e fazer compras com as amigas, e a namorada. Sim, namorada, pois Janaína era lésbica.”

Interessante? Provavelmente. Porém, imagine quão melhor seria se, em vez de contar isso tudo em um único parágrafo, nós separássemos o que fosse realmente importante para a história (usando como exemplo: professora do Jardim da Infância, lésbica), e mostrássemos isso.

Exemplo 1:

“Janaína entrou na sala de aula e olhou para as crianças. Sorrira, pois mesmo com todos os problemas, tinha um lugar onde se sentia bem. Ela se aproxima do quadro e começa a escrever […]”

Exemplo 2:

“Após sair da sala de aula, Janaína seguiu até a academia de luta ao lado da escola. […] Ao encontrar Betânia, aproximou-se da lutadora e beijou-a discretamente, sempre temendo que alguém da escola a visse com sua namorada.”

No exemplo 1, o texto deixa claro que Janaína é uma professora. Insinua também que ela tem problemas, mas não conta quais são, pois um trecho futuro (ou passado) iria mostrá-los. As crianças poderiam ser compreendidas como mais velhas do que “Jardim da Infância”, porém, com uma pincelada no texto e mais uma ou duas frases, seria fácil trazer o leitor para a realidade da cena: uma professora do Jardim da Infância que adora o seu trabalho, e provavelmente teria medo de perdê-lo.

Daí, entramos no exemplo 2. Eu fiz com que deixasse praticamente explícito que o segundo exemplo se passa quase imediatamente após o primeiro. Por quê? No exemplo 2, nós temos uma grande ideia de um dos problemas da Janaína, sua sexualidade. No trecho, vê-se claramente que a professora é lésbica (ou bissexual, pansexual, ou qualquer outra orientação sexual possível, por mais que isso possa ser importante no livro, no trecho não é), afinal ela tem “Betânia, a lutadora” como sua namorada. E qual é o primeiro grande problema que identificamos?

“[…] sempre temendo que alguém da escola a visse com sua namorada.”

Aí está, o primeiro problema. O que a escola faria se descobrissem sobre a sexualidade de Janaína? Talvez a escola não fosse um problema, mas os pais das crianças com certeza seriam.

Note que, em nenhum dos dois trechos, eu precisei sequer usar as palavras “Professora” e “Lésbica” (não há problema algum em usá-las, eu só tomei essa precaução para dar ênfase ao mostrar). Seu leitor não é burro, deixe coisas implícitas para que ele monte na própria cabeça. Sempre que possível, escolha mostrar, ao invés de contar.

 

  • Lei da Ação e Reação.

Segundo a Terceira lei de Newton, tudo que vai, volta toda ação gera uma reação.

Eu sou péssimo em física, tanto que tive que pesquisar para lembrar qual era o número dessa lei da Ação e Reação. Porém, ela se aplica na escrita também. E é muito importante lembrar disso.

Toda ação de uma personagem, leva a uma reação do cenário e das personagens ao redor dele.

Essa regra é melhor exemplificada se você pensar em livros de grande sucesso. Então, vamos aos exemplos:

  1. Para quem leu (ou assistiu) os livros de George R. R. Martin, da saga A Canção do Gelo e do Fogo, sabe o quanto as ações de uma única personagem pode influenciar sete reinos. Por exemplo, o casamento (lê-se traição) de Robb Stark, o Rei do Norte, gera outro casamento, um escarlate, que nenhum fã da saga jamais irá esquecer. Ação e Reação.
  2. Em Jogos Vorazes nós vemos muitas ações de Katniss tomarem grandes proporções. O primeiro exemplo é quando ela se voluntaria no lugar da irmã para os jogos, o que resulta nos três livros da série. Em uma ação posterior, vemos a Tributo erguer três dedos em honra à morte de uma amiga. Um simples gesto, que acabou gerando a maior revolução que a Capital já presenciou. Ações e Reações.

Temos muitos outros exemplos para usar. Incontáveis. Afinal, toda história é feita de ação e reação. Quando uma personagem rejeita alguém, gera uma reação. Quando uma personagem bate em alguém, gera uma reação (geralmente, uma briga). Quando uma personagem revela estar apaixonada, gera uma reação. Tudo o que uma personagem faz, gera uma reação. Portanto, não esqueça disso na hora de escrever seu livro ou seu conto.

 

Essas são as três principais dicas que tenho. Para mais sobre erros na hora de escrever seu livro, assine minha Newsletter. É gratuita e estou sempre tentando mantê-los atualizados por lá.

Até a próxima!

Caio Vinícius, autor e professor.

P.S.: lembrando que essa semana começam nossos posts de Quarta-Feira. Não deixe de passar por aqui.

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