Era uma vez…

Começar um livro é difícil, mas não impossível.

benefc3adcios-contos-de-fadas

Sempre que pensamos em contos de fadas, uma das primeiras coisas na qual pensamos, é naquela frase inicial muito conhecida e utilizada, “Era uma vez…”.

Começar um livro, principalmente para escritores inexperientes, é uma tarefa difícil. Existem inúmeras dicas pela internet, dizendo como o seu livro deve encantar e prender o leitor desde a primeira página, do primeiro parágrafo.

E, é claro, eles estão certos. Porém, dizer isso não ajuda o processo a ficar mais simples. Geralmente, até piora a situação. Como prender o leitor já na primeira página? O que pode acontecer de tão brilhante em 100 palavras que pode despertar uma curiosidade tão grande em alguém?

São perguntas difíceis de responder. Alguns autores apostam no Prólogo, que é um capítulo que serve, basicamente, como uma introdução ao livro. E, muitas vezes, os prólogos funcionam muito bem.

Em Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin, o prólogo nos introduz à ameaça do que há além da Muralha, mostra o que podemos esperar do restante da saga, e não interfere diretamente na história, mas também não é apenas uma encheção de linguiça. E, logo depois, o único sobrevivente do Prólogo é decapitado, então sabemos que a única coisa importante daquela cena, é a ameaça que os Caminhantes Brancos representam, e nós acabamos descobrindo antes da maioria dos personagens que eles são definitivamente reais.

Tudo isso em um prólogo. Que começo, não?

Porém, existem outros tipos de começo. Quem me conhece, sabe que sou fã de Percy Jackson e os Olimpianos, e o autor da saga, Rick Riordan, tem uma forma diferente de introduzir o leitor à história.

No começo de Percy Jackson e o Ladrão de Raios, primeiro livro da série, o próprio Percy Jackson, personagem principal dos livros, se comunica diretamente com o leitor, como se quebrasse a quarta parede da literatura. Na primeira página, nós já somos recebidos pelo Percy dizendo que ele sofrerá uma morte ridícula, como acontece com a maioria dos semideuses gregos. E, é claro, pede que fechemos o livro, e voltemos às nossas vidas mortais comuns, sem saber dos males que acontecem lá fora, com monstros, deuses e heróis constantemente lutando e morrendo. E, obviamente, quando o protagonista te pede para não ler um livro, você lê.

Em outros casos, o autor aposta na vida do personagem como uma forma de iniciar o livro. Se o seu personagem tem algo interessante acontecendo na vida dele, não há necessidade de fazer um prólogo contando sobre a vida de outra pessoa, apenas mostre o que tá rolando.

Nesse caso, darei dois exemplos, um de literatura fantástica, e outro que sai do mundo dos livros e aterrissa no das séries de comédia. Vou começar pelo da série.

Uma das minhas séries favoritas é How I Met your Mother (ou, Como eu Conheci a sua Mãe), uma comédia com inspiração em outra de minhas séries favoritas, F.R.I.E.N.D.S., que conta a história de como o personagem principal, Ted, conheceu a mãe de seus filhos. Primeiro de tudo, já é uma premissa divertida, um pai contando aos filhos uma longa (muito longa) história de como conheceu a mãe deles. Porém, já no começo, ele nos mostra que há algo interessante acontecendo ali. Ted escolhe começar a história no momento em que seu melhor amigo, Marshal, pediu sua melhor amiga, Lily, em casamento.

Convenhamos, se você pode começar uma história de comédia romântica (ou quase isso) com um pedido de casamento, por que não?

O outro exemplo, agora voltando ao mundo dos livros, seria o começo de Harry Potter e a Pedra Filosofal, primeiro livro da saga do bruxinho, escrito por J. K. Rowling.

Logo no começo, nós temos os Dursley vivendo suas vidas normais, porém com certas anormalidades, como pessoas estranhas na rua comemorando algo que eles desconhecem. Até que o menino Harry Potter finalmente chega até os tios, ainda bebê. Em uma história sobre bruxos, escolas de bruxaria, escadas que se movem sozinhas, criaturas fantásticas e carros voadores, Rowling decidiu começar seu livro contando como dois trouxas (seres não-mágicos) enxergavam a comunidade bruxa, e como foi horrível para eles ter que receber, em sua casa perfeitamente trouxa, um sobrinho bruxo.

 

Eu dei vários exemplos, mas como escolher a melhor forma de começar o seu livro?

Basta ter coragem. Quando você começar a escrever, pense se há algo de interessante acontecendo na vida da sua personagem principal, algo que o leitor vá gostar de saber, e que tenha relevância para a história. Sim? Então aí está seu começo. Não? Então pense em algo que já aconteceu há algum tempo atrás, com sua personagem ou alguém próximo. Ainda nada? Você pode também pegar um fragmento de algo que vai acontecer no meio do livro, ou próximo ao fim, e colocar no prólogo, para instigar a curiosidade do leitor. Também não? Então talvez alguém tenha feito algo muito ruim, que pode afetar direta ou indiretamente sua personagem, causando os problemas dela, isso seria um bom prólogo. Nada ainda? Então deixe sua personagem sair um pouco da caixinha, quebrar a quarta parede e falar diretamente com o leitor, mas tenha certeza que ela tem algo interessante a dizer.

As opções são diversas, portanto, basta escolher a que melhor serve sua história. Mas, de qualquer forma, lembre-se:

Se você nunca começar, é impossível terminar.

Caio Vinícius, autor e professor.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s